Vi-te, nos vídeos.
O meu.
Não o de agora.
Observei-nos. Não me lembrava da luz que transmitíamos juntos.
Não me lembrava que falávamos sem palavras, até sem acções.
Possuíamos realmente algo com a beleza de um outro mundo que ainda está para ser descoberto.
Tentei chorar por tudo ir já tão longe, mas o meu coração não deixou, ele sabia que havia sido tão feliz naqueles momentos que só conseguiu fazer-me sorrir, o mesmo efeito contraditório que sempre tiveste em mim.
O único pensamento que me invadiu a mente foi, como é que uma história assim se desvaneceu?
Já existem tão poucas, e nós tivemos, ai meu amor se tivemos.
Sabem a lua e o sol quando se juntam? Fazem o eclipse,apagam toda a luz da terra apenas para estarem lado a lado no mundo que ambos criaram.
Acho que esta é a história que consigo criar com mais semelhanças à nossa.
Certo dia li que existem momentos lindos e outros valem a pena escrever sobre.
Eu escrevo sobre ti desde invadis-te o meu coração sem pedir licença. 
Quando decidis-te abandoná-lo, continuei.
Admito que já parei de o fazer na tentativa de não querer que exista mais de ti, em mim.
Recomeço sempre a fazê-lo, porque existe.
A história mais linda do nosso mundo, do nosso sítio, que eu não sou capaz de apagar.
E pelos vistos, nem tu.
Mas como se deixa algo assim no vácuo?
Será que se tentássemos, se tivéssemos continuado perdia toda a sua essência?
Será que só é tão especial pela sua intensidade?
Éramos ambos tão novos, inocentes, e não fazíamos ideia do quanto difícil era criar momentos assim, tão diferentes de tudo o que já fora inventado. 
Sobre nós ninguém sabe nem de metade.É nosso, só e apenas meu e teu.
E assim permaneceu e irá permanecer.
Tu bem falas em um dia. Mas o tempo passou, continua a passar, e já tive demasiadas esperanças por um sonho que não existe esse dia para ser realizado.
Nada mudou dentro de nós desde o dia dezassete.
Crescemos, alteramos a nossa personalidade, os hobbies, amigos, deixámos de falar um com o outro.
E no entanto assim que te vejo, ou que tu me vês... É o mesmo de sempre.
Não tem explicação, ou pelo menos eu não consigo encontrar uma. É bonito sim. Muito mesmo.
Mas não posso continuar a colocar a minha vida em stand by só porque tu já tens a tua feita e não queres abdicar disso por mim. Quando eu abdicaria de tudo por ti.
Não creio que tenhamos sentimentos diferentes um pelo outro. Eu simplesmente aceitei os meus, mudei a minha maneira de ver a vida e irei sempre acreditar no amor. Tu, não, longe disto, quanto menos sentires melhor, preferes continuar numa vida feita do que ser feliz a refazê-la.
E é isto que nos afasta, o teu medo.
Em tempos pensava que a culpa era tua, por não lutares, por me deixares de lado. Agora sei que é como referi acima, o medo congela-te. E eu já fiz demasiado para o tentar derreter.
Esperava mil vidas, sabes?
Mas não posso. Porque acima de tudo ao longo destes anos aprendi a amar-me e este amor não me deixa fazer tal coisa.
E vez disso, vou viver a minha.
Deixar-te no mundo da lua, no sítio dos sonhos impossíveis.
E de vez em quando espreitar-te nos vídeos.