Berrei-lhe, gritei-lhe. Disse [quase] tudo aquilo que tinha cá dentro há quatro anos. O que contive foi por educação, porque por mais desilusão que sinta, é minha mãe.
Talvez ela na o merecesse nada do que lhe aconteceu, talvez ela tenha sido a super mulher por permanecer viva. Mas a culpa de ter arrastado tudo e todos para a doença.. A culpa de criar depressões, destruir sonhos. Essa.. É só dela.
Ela deixou. Abriu os braços, caiu na escuridão e lá ficou. Até hoje.
Deixou de se preocupar com tudo. Até comigo, que eu sei que era a luz da vida dela. Deixou-me de lado, como se eu não valesse nada, como se fosse filha de outro alguém e ela apenas tivesse de a manter viva. 
Ela deixou-me. 
Num clic fiquei sozinha e nunca a tinha perdoado por isso. Nunca tinha sequer feito uma única observação mesmo que esse milésimo clic tivesse alterado cada pedaço do meu ser. 
Hoje fiz. Quando teve que ser. Quando me senti preparada para tal.
A vida é uma merda sabem, eu aprendi isso demasiado cedo. Infelizmente ou felizmente.
Fez de mim mulher mas uma daquelas infelizes.
Mas hoje gritei-lhe.
A ela e a mim.
(...)
Continua, um dia.