#quintadoscontos

Senti o teu cheiro.
Petrifiquei. Aliás como sempre faço quando algo se associa a ti.
Mandei-te embora do pensamento mas estavas mesmo ao meu lado.
Tu, sim eras tu. em carne e osso.
- Não mudas-te nada. - Disse ele.
- Ainda bem então. - Ripostei eu.
Amarga sim, foi ele que me fez assim. Foi ele que colocou esta mágoa no coração e nunca se preocupou em levá-la quando se foi embora.
Virei costas e vim embora.
Ele insistiu. 
- Vais ser mal educada?
- Vou ser aquilo em que me tornas-te. 
E ele baixou o olhar. Não sei se em momento algum se sentiu culpado ou se arrependeu do que quer que seja. Mas se sim, foi certamente agora. 
- Tenho saudades tuas Luísa. 
- E eu esperei-te, dia após dia, noite após noite, na janela da cozinha, da sala. Eu esperei em agonia por ver o teu carro a estacionar em frente à minha casa. Esperei que me pedisses desculpa por ir sem avisar. Por deixares as gavetas da tua roupa abertas, vazias. Sem uma única explicação. 
Ele permaneceu calado.
- Eu também tenho saudades tuas Luís, vou ter sempre. És o amor da minha vida. Mas não o homem dela.
- Não percebi, sou o amor mas não o homem?
- Sim, foste o maior amor de mim, mas não o homem que irá passar o resto dos meus dias comigo, o homem que me fará a mulher mais feliz deste mundo. O Homem com H maiúsculo. 
Não de mim. 
Não da minha vida.
Por mais que petrifique com o teu cheiro.


(ps. isto é sem dúvida o que mais gosto de fazer na vida.)