Gostava de te poder magoar como me magoaste a mim.
Gostava de te causar os traumas.
Retribuir tudo de bom e de mau, para perceberes a falta que me fazes e o bem que fizeste ao teres ido, o quanto ainda te amo e o que comecei a odiar.
Gostava que o tempo voltasse atrás e desta vez fosse ao contrário.
Eu o amor da tua vida.
A luz dos teus olhos.
A tua razão de viver.
O sorriso mesmo nos piores dias.
Eu, a ir-me embora, sem adeus, explicação ou resposta.
De um dia para o outro perderes a única pessoa em biliões no mundo que te faz feliz, sem saberes o porquê.
Gostava de te ver perder o brilho no olhar por cada dia que esperavas por mim, pelo barulho do meu carro e eu nunca chegar.
Gostava que sofresses tu com saudades minhas.
E eu?
Eu na minha vida, sem memória alguma tua.
Como estás tu hoje. Sem peso algum na consciência.
Sem saudades. Apenas com amor.
Por outra mulher.
Que não eu.
Que nunca, em momento algum, serei eu.
Quem mais te amou. Quem mais tu desprezas-te.
E por isso, gostava muito de te poder magoar.
Para nunca admitir a mim, que mesmo que a vida voltasse atrás como que por milagre,
meu amor eu só iria amar-te ainda mais,
porque por mais que tente,
por mais que tenhas destruído cada pedaço da minha alma,
és o amor da minha vida,
a razão do meu viver e
o sorriso mesmo, nos piores dias.
credit photo: Rebel Without a Cause film
