#quintadoscontos
Não sabia como o fazer, como o dizer.
Pelo meu pensamento passavam-se mil e um cenários e nenhum, absolutamente nenhum era o perfeito.
Não sabia sequer qual escolher.
Qual é que aquela mente esquisita poderá gostar mais?
Qual?
- Posso ajudá-lo? - perguntou-me uma senhora que seguramente percebia mais disto que eu.
- Pode e deve, a senhora já deve estar habituada a esta questão de os homens não saberem.
- Alguns sabem, acredite. Mas é raro sim. - E riu-se, de leve.
Estaria ela a gozar comigo? Não devia ter vindo aqui, que azar.
- Trouxe-lhe aqui alguns, posso dar-lhe a minha sincera opinião mas no final terá de decidir por si, e pela a sua amada claro.
- Este maior? Não, não é muito grande se calhar.
Este!! É este, simples mas com um toque, o que acha?
- Pessoalmente não será dos meus preferidos, no entanto também pode pensar que prefiro vender algo de um valor mais elevado.
E a ajuda foi-se embora e eu não percebi? O seu trabalho não é este, ajudar? - pensei eu, cada vez mais irrequieto.
- Pois. Hum, ela é tão ela, que até posso escolher um que ela goste e num minuto vai encontrar um defeito, raios da miúda. - disse tudo em voz alta? Não era suposto.
- Compreendo, então a melhor decisão é mesmo esta. Não há muito por onde errar.
- Está feito então.
E estava, já estava. Oh se estava!
Saí da loja e suava como se tivesse acabado de correr uma maratona de 42 km, quando oiço o telemóvel tocar e quem poderia ser?
Ela!!! Claro!!!! Hoje deve ser o meu dia de sorte, só pode.
Bolas! Disse que vinha aqui ter comigo, ótimo, eu estou tão calmo como se pode ver, as minhas mãos não tremem absolutamente nada.
Está tudo bem.
É só respirar fundo.
Acho que se fumasse este seria o momento que iria um maço em dez minutos.
Toca-me no braço e eu viro-me.
- Olá miúdo. Credooo, estás bem?
- Eu Amo-te. Amo-te como nunca amei mulher alguma nesta vida meu amor, e mais que viessem. Amo-te tanto que só quero ver-te a acordar de mau feitio matinal todos os dias.
Amo-te para o resto dos meus dias.
- Uau, fizes-te alguma? Isso é demasiado querido para ti. Vá conta-me lá onde andas-te.
Ajoelho-me.
- Queres casar comigo? - Esta foi a pergunta mais difícil que alguma vez fiz, e num centro comercial? Momento perfeito? Claro João, claro, boa, parabéns.
Ela olha-me com os seus olhos azuis cor de mar, percebo que vai começar a chorar e abraço-a.
- Quero, quero muito. - Diz-me ela ao ouvido, entre soluços.
E eu percebi que nada interessava o sitio, o meu suor ou o anel,
mas sim,
e apenas,
casar-me com ela.
(photo by India Ear)
