obrigada merda.

Revolto-me com toda a merda que a vida me dá.
Mas a verdade é que se não fosse ela, hoje não seria a escritora que sou.
Pintora, produtora, talvez.
Mas não escritora.
Afinal como poderia saber do que escrever?
Como poderia gastar sentimentos?
Encontrar o meu canto?
O refúgio.
A escrita é o meu refúgio da vida real.
Como que se entrasse numa bolha na qual não existe ansiedade, medos, responsabilidades.
Como que se tudo fosse branco no preto.
Revolto-me com a merda.
Erradamente.
Preciso de lhe agradecer.
Obrigada merda.
Obrigada vida.
Por todas as quedas, desilusões, por todos os episódios mirabolantes que contados ninguém acreditaria.
Só assim posso fazer o que gosto.
Ou tentar fazer.