- Quando? - perguntou ela.
- O quê?
- Quando é que deixas-te de me amar?
- Nunca.
- Pena. Preferia que existisse uma data, um momento.
- Não te estou a perceber Benedita.
- Sim, preferia que me dissesses o quando, assim não teria de ouvir da tua boca outra vez um amo-te, que é o que irás fazer. Foi alguma coisa que fiz? Ou disse? Não sou suficientemente boa?
- Desculpa?
- Não precisas de o pedir. Nem precisas de dizer muito mais. Estou cansada, acabei de te perguntar se não sou suficientemente boa, que pergunta estúpida, claro que sou, obviamente que sou, não para ti pelos vistos, mas para mim, para o mundo inteiro, sou. E amo-me por isso mesmo que não o faças.
- Mas.. - ia ele começar a falar.
- Não. Não fales. - ripostou ela.
- Não preciso que digas absolutamente nada. Já disseste ao longo dos anos, e pior, já fizeste, para mim, chega.
- Mas Benedita eu amo-te!
- Porra, não ouviste merda nenhuma do que eu disse? Ou queres que volte a perguntar, quando?
- Não há quando, já te disse!
- Porque nunca houve amor no teu coração. Nunca me amas-te, aconteceu, e ficaste, pela idade, pela sociedade.
- Achas mesmo isso?
- Não.
- Bem me parecia amor, estás bem? Correu-te mal o dia no trabalho?
- Não Miguel! Eu não acho! Eu tenho a certeza! As razões pelas quais estás comigo são erradas e o pior é que eu desejei tanto que mudasses, esperei por ti, pus-me no teu lugar, e agora percebi que simplesmente nunca quiseste. Nunca se tratou de nenhuma desculpa esfarrapada que deste. Um dia uma senhora disse-me, quem quer faz minha querida e eu esqueci-me disto estes anos todos, pois bem digo-te eu agora, quem quer faz meu querido e tu não fizeste. Portanto faço eu. Acabou.
- Benedita. Acalma-te. Vamos conversar.
- Já conversei tudo. Obrigada. Volto a perguntar pela última vez, quando?
Ele petrifica e responde:
- Nunca.
Uma lágrima cai-lhe do rosto.
- Nunca te amei Benedita Mas gosto muito de ti.
- Não me chega.
E saiu. A Benedita foi ser feliz, ainda que sozinha, o seu coração estava finalmente, leve, feliz.
Hoje é dia da mulher e eu trago um texto triste, é verdade, porque todas nós, ou quase todas já passámos por relações menos boas, o amor nem sempre é bonito e é preciso muita, mas muita coragem para admitir tal coisa e sair porta fora. Pois bem, o que interessa é sermos felizes, e termos o amor mais importante do mundo, o próprio.
Eu sou uma romântica incurável, mas para isso também tive de aprender a amar-me, ou continuo a aprender, todos os dias.
Amo-me a mim e a vocês.
Se as mulheres não se criticassem umas às outras o mundo era um sitio muito melhor.
Feliz dia da mulher!