#quintadoscontos

Ele fez-me o jantar, o primeiro de muitos, bebemos vinho, conversámos, tanto, sobre tudo e sobre nada.
Descobri que gostava de olhar para ele.
Pudera, era lindo. Mas por dentro.
Mal o conhecia e já passava uma vida do seu lado se pudesse.
Era tão fácil, sentia-me tão leve, no sitio certo.
Dormimos juntos, sem beijar, tocar.
Quando acordei, voltei a ter incertezas, como no primeiro dia, sentia-me insegura.
Levantei-me e ele igualmente.
Dá-me um beijo leve na bochecha e diz:
- És difícil miúda, mas eu não desisto.
Eu apenas sorri e fechei a porta.
Porquê tantas perguntas na minha cabeça? Não quereria isto? Ou queria tanto que não poderia sequer suportar a ideia de correr mal?
Ele não desistiu.
Depois de passeios, jantares, surpresas, depois de milhares de minutos em chamadas, mensagens, beijamo-nos no sofá lá de casa.
- Valeu a pena todo o tempo que esperei. - disse-me.
Sorri envergonhada.
- Não sei o que é que tens, mas sou doido por ti.
Voltei a sorrir.
- Não me vais dizer nada? -perguntou.
Estava imensa em amor, numa bolha de paixão.
- Gosto muito de te ouvir, e acredita os meus sorrisos dizem muito mais que palavras.
- Hum. Posso ver-te sorrir para sempre então?
-Podes, e deves.
Retirou um anel do bolso e colocou no meu dedo, não foi o pedido de casamento com que havia sonhado desde miúda mas foi perfeito.
Casámos passado um ano.
Ainda hoje quando estou triste ele me diz, posso ver-te sorrir?
E eu respondo, para sempre, sim.

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