Vi hoje por mero acaso a entrevista da Luciana Abreu no Alta Definição, não costumo ver o programa ou seguir a Luciana, no entanto não havia mais nada de jeito no Youtube.
Sei agora que nada é por acaso.
A Luciana tem uma história parecida comigo a nível de pais, pela primeira vez pude ouvir alguém falar de uma experiência que é rara e ainda bem, mas que eu vivi de perto.
Nem toda a gente nasce para ser mãe ou pai e quando o são só sabem magoar os filhos, não se amam a eles próprios quanto mais amar outro ser. E não, eu não entendo isto, mas fui obrigada a aceitar.
Aceitei que não sou menos que ninguém por os meus pais não gostarem de mim.
Aceitei que posso dizer chega, quando alguém nos usa, faz chantagem emocional e abusos psicológicos, mesmo quando esse alguém é a nossa mãe ou pai, aliás especialmente quando é família.
A verdade é que demorei muito mas muito tempo a chegar ao ponto de dizer um não, eu sou uma pessoa que raramente desiste de alguém que ama, principalmente da pessoa que outrora foi a mais importante da minha vida.
Só que quanto mais oportunidades eu lhe dava mais ela me destruía, me deitava ao chão, me denegria, quanto mais eu lutava mais ela gozava com todas as minhas tentativas.
Então saí, de casa e da vida dela. Foi a decisão mais difícil da minha vida inteira.
Nunca me arrependi. Nunca. Nem por um segundo.
Deixei o meu sitio preferido, o meu chão onde adorava escrever, deixei uma vila onde sonhara viver, deixei tudo e vim, de coração, finalmente, livre,
Não a odeio, aliás, amo-a muito, vou sempre amar, durante muitos anos foi o porto seguro da minha vida, a minha melhor amiga, a única constante, a primeira definição de amor que conheci, amo-a muito.
De longe.
Porque me amo, ainda mais.
Não lhe guardo rancor, todas as nódoas negras que me fez só me fortaleceram.
Não sou a filha de quem ela se orgulha, mas sou a mulher de quem eu me orgulho e isso chega-me,
orgulho-me dos meus princípios, dos meus sonhos, das minhas metas, de tudo o que alcancei.
Não tenho mãe nem pai de sangue, mas tenho na minha vida pessoas que me amam acima de tudo.
Digo-vos isto tudo porque hoje fui parar a um vídeo meio sem querer, e ouvi as palavras que precisava tanto ouvir. Nada, absolutamente nada, é por acaso.
Um abraço apertado cheio de orgulho para quem passa por esta situação e mesmo assim dá a volta por cima. Somos guerreiras. Somos heroínas. Somos muito melhores do que as pessoas que nos colocaram no mundo.