Eram quatro da manhã quando acordei por acaso.
O telemóvel tocou. Sinal de mensagem a esta hora? Estranho.
- Vais-te mesmo casar? - Dizia.
Acordei instantaneamente e fiquei incrédula a olhar para o ecrã. Mas que raio, de quem é este número? Não conheço.
O meu coração batia lentamente, como se secretamente pudesse saber quem estaria por detrás da mensagem e ao mesmo tempo não quisesse.
Ignorei. Virei-me para o lado para tentar voltar a adormecer.
Mensagem outra vez.
- Eu não acredito que te vais casar. Porquê? Não podes!!! - Repetiu.
Não respondi.
- Não dizes nada? Tens mesmo a lata de não me responder?
Eu é que tenho lata?
Comecei a escrever então uma mensagem que dizia:
- Não conheço este número. Provavelmente não conheço sequer a pessoa que está atrás do telemóvel. Se conheci um dia é porque tiveste a sorte ou o azar de te cruzares comigo na tua vida, se saí por alguma razão foi portanto agradecia respeito. Bem haja.
Enviei.
Será que é mesmo ele? Não. Provavelmente está ele casado e com filhos. Será? E porque raio esta opção me aperta o coração? Ele saiu de casa, deixou a porta aberta para poder voltar sempre que não tinha companhia na sua cama de solteiro. Não, não é ele!!!!
- Pelos vistos o tempo passa mas o mau feitio permanece. Só queria falar. - Li eu.
Mas que raio.
- Eu não falo com desconhecidos. - Respondi.
- Quando viste o meu retrato de bebe pendurado no quarto na casa dos meus pais disseste que os teus filhos iriam ser assim. - Disse.
Só tinha feito isso uma vez em toda a minha vida. Era mesmo ele. Engraçado, num segundo voltei àquele momento e apercebi-me do quanto queria verdadeiramente que os meus pequenos tivessem as suas feições.
- E tu disseste, cada coisa a seu tempo? - Enviei e arrependi-me, era uma provocação desnecessária.
- Não estava preparado. Nem tu. E sabes bem disso. Mas se fosse hoje, respondia apenas, todos os que quiseres.
Não sei o que responder. Não há nada para falar. Nada para resolver. Se fosse hoje? Mas não é! Não vale a pena. Eu não quero falar com ele, fez as suas escolhas e a vida continua.
O telemóvel voltou a tocar.
- Se fosse hoje, pedia-te em casamento na hora. Eu sei que eras apenas uma miúda, iria ter tanto trabalho para te tornar mulher mas sei igualmente que aceitarias na hora e hoje era o homem mais feliz do mundo. Na minha cama já se deitaram tantas outras mas nenhuma tem o teu cheiro, o teu sorriso, a tua felicidade... Nenhuma és tu. Deixo o tempo passar na esperança que um dia me perdoe por te ter deixado mas não posso aceitar que te cases com outro.
Não, não, não, não, não, ele que nem pense que pode agora chegar e aperceber-se que perdeu de vez para tentar mostrar arrependimento! Ele saiu! Sem mais nem menos! Ele deixou-me com mil e um planos, sonhos por realizar e porquê? Porque não estava preparado? Porque não queria! Ponto final. Eu acho que ainda o amo, sinceramente, sinto que o vou amar para sempre. Mas não como aquela miúda o fez. Eu amo-o pelo amor que ele me fez sentir. Amo-o pelos momentos, tão perfeitos. Amo-o pelo que fomos. O que ele foi. Eu amo o que já foi, o passado.
Agora não o conheço, nem quero.
Preciso de responder.
- Vou amar para sempre tudo o fomos, algo para além da perfeição, não que saibas disso porque vivemos relações diferentes. Vou amar para sempre a miúda dentro de mim que te amou. Vou amar para sempre as recordações. Mas não te amo a ti há muitos anos. Nem acredito que estejas arrependido. Não utilizes palavras bonitas só porque sim. Um dia, vais gostar tanto de alguém como eu gostei de ti e aí sim, percebes tudo o que te digo. Um dia vais ser tu a casar e espero que te escape uma lágrima quando a vires a entrar no altar. Um dia vais descobrir porquê que te chamei amor da minha vida mesmo sem saber amar, sequer. Eu vou-me casar sim, graças a ti, hoje sei o que é o amor verdadeiro.
Ele não respondeu, nem precisava.
Desculpem a minha ausência, estive de férias sem internet e sobrevivi
:) precisava mesmo muito de descansar apenas e pronto, está feito.
Pronta para mais uma etapa!!