Tenho saudades tuas.
Admito que a determinado momento o melhor foi mesmo seguirmos vidas separadas.
Admito que respirei fundo sem ti porque a nossa história havia-se tornado demasiado complicada.
Pus de lado todas as nossas memórias, o teu nome, as nossas abreviaturas.
Os nossos olhares. Conversas.
Pus de lado o precisar de ti, dos teus conselhos, desabafos.
Pus de lado a minha irmã de coração.
Aprendi a viver sozinha. E não vou ser hipócrita, vivi bem.
Por breves momentos acreditava até que o futuro ia ser sem ti.
Mas o meu coração nunca foi mentiroso e sabia que lhe faltava algo.
Então esperei.
Deixei o tempo passar, a vida mudar, permiti-me crescer, perdoar, seguir.
Sem querer, comecei a sentir saudades tuas.
Na pessoa que via e não te podia contar, na novidade da minha vida que tu não irias saber, no abraço que precisava e só tu saberias dar. Senti especialmente saudades tuas no dia em que descobri que os meus pais se iam separar, nos meses que se seguiram depois disso, não tinha palavras que pudessem descrever o que sentia mas tu, se me olhasses nos olhos, irias compreender.
Não que não tenha tido as melhores pessoas, tive, sem dúvida.
Mas o olhar não conversa como o nosso fazia. Não fico triste com isto.
Tenho apenas, saudades.
Parte das minhas melhores memórias são contigo.
Por isso, como posso não as ter?
Sabes... A vida é fodida.
Além das mágoas crescemos de maneiras diferentes e se nem eu sabia lidar com os demónios, como poderias tu?
Eu precisei de chegar ao fundo do poço para aprender a nadar.
Precisei de perder tudo para perceber que o realmente nos faz viver são as pessoas, as que gostam de nós do fundo do coração, de verdade.
E tu? Tu não sei.
Um dia conheci-te melhor que ninguém neste mundo, hoje simplesmente não sei.
Mas isso não me impede de ter saudades.
Tuas.