#quintadoscontos

- Em outra vida foste a minha alma gémea. - Diz-me.
O meu coração pára.
- Fui?
- Foste. Se calhar és. - Revira os olhos e suspira.
Ele falava como que, sozinho, num dilema interior e percebi que não precisava de resposta. 
Continuei a olhar para o céu, as estrelas sempre me fascinaram... Mostram-me o quanto somos pequenos num universo tão, imenso.
Eu não sabia se ele era a minha alma gémea, sinceramente, tal nunca me tinha passado pelo pensamento.
Eu sabia apenas que gostava muito dele.
Sem priorizar amor ou amizade. 
Não precisava de um estatuto.
Muito menos de pensar sobre isso.
Ele era meu, ainda que por breves momentos e fazia todo o sentido.
Como se tivesse de acontecer.
Como se as estrelas do universo para as quais olho neste momento se alinhassem e nos colocassem no sitio certo.
- Achas que podes ser a minha alma gémea? - Interrompe ele o meu pensamento.
Corei e deixei escapar um sorriso envergonhado, no fundo achava que sim, mas devia-lhe dizer isso?
- Não acredito que isso seja algo de se achar. Ou sou. Ou não.
- Concordo. Então não deves ser. - Responde-me, ainda aluado.
- O que te leva a ter dúvidas?
- A vida.
- Hum. O que te leva a ter certezas?
- A calma que me transmites.
- Entendo.
- Pois, por isso digo, em outra vida foste a minha alma gémea.
- Nesta não sou?
Ele calou-se.
Como se soubesse a resposta mas preferisse não a dizer.