Acho que és em parte a culpada de nunca mais me ter dado a uma amizade.
Eras metade de mim.
Nunca mais partilhei infinitamente detalhes do meu dia.
Nunca mais chorei à frente de outra miúda.
Nunca mais pronunciei a palavra "irmã".
Nunca mais dependi da opinião de outro alguém.
Nunca mais dormi com outra pessoa como se fosse dormir comigo.
Nunca mais falei com alguém com o olhar.
Nunca mais tive aquele silêncio confortável.
Nunca mais dependi de uma amizade, como dependia,
de ti, de nós.
Tenho e tive outras amigas. (de quem gosto muito aliás.)
Mas não és tu.
E não é a mesma coisa. (ou eu nunca me consegui dar a conhecer a elas como dei a ti.)
Nunca perdi muito tempo a pensar em nós, ouvi coisas que me magoaram tanto, tiveste atitudes que estragaram tudo o que um dia tivemos..
Isso fez-me desligar, pintei de preto e guardei na gaveta.
Mas hoje sem querer vi fotos, vi momentos, sorrisos, gargalhadas, vi a irmã que outrora tive.
E precisava de te escrever.
Mudas-te muito, muito mesmo sabias? Deixei de te conhecer.
Eu também. E ainda bem.
Não fomos perfeitas. Continuamos a não ser.
E hoje não existe absolutamente nada e não é possível existir porque deixámos de ser metades uma da outra.
Mas digo-te, obrigada, do fundo do meu coração, por tudo, até pelo mau.
Preciso agora de seguir em frente, abrir o meu coração a amizades que assim o mereçam sem medo algum. Retirar o nunca da minha vida e quem sabe encontrar uma irmã que fique para a vida toda.