Passei uma vida a duvidar do amor.
Ano após ano, procurei, tanto.
Quis sentir.
Quis amar.
Ser amada.
Ser mãe.
Quis todo o estereótipo que criam de uma mulher.
No dia em que fiz trinta e cinco anos depois de me darem os parabéns, diziam-me com olhos de pena que a partir de agora engravidar seria difícil, homens só os divorciados com bagagem complicada, casamento então seria impossível.
Eu permanecia calada.
Continuava a duvidar do amor.
Se existiria afinal, ou não.
Se ainda o gostava de viver.
Afinal acreditava que seria mais fácil simplesmente viver de mim, para mim.
Um dia acordei, olhei para o lado da minha enorme cama e pela primeira vez em muito tempo desejei que estivesse ali alguém, decidi então que por um dia iria tentar aprender mais sobre o sentir.
Vesti-me, sai de casa e fui para a biblioteca, li romances, coisa que nunca tinha feito, passei por jardins e observei casais apaixonados, entrei numa loja de vestidos de noiva onde estava uma miúda a experimentar um e o seu sorriso irradiava toda a sala.
O amor faz sorrir pensei eu, bem e chorar como li naquele livro, o amor deve ser para todos os dias e momentos.
E senti o meu coração, feliz.
Decidi ir vaguear pelas ruas da cidade de que tanto gosto, estava sozinha sim mas havia aceitado que mesmo não tendo amado ninguém o amor poderia existir na minha vida.
De repente alguém esbarra em mim entornando o seu café na minha camisola preferida que tinha vestido para ser um dia perfeito.
- Desculpe, desculpe, eu limpo. - Ouvi alguém dizer.
- Largue-me! Já fez o suficiente.
- Não foi intenção minha fazer-lhe mal, vinha distraído.
- Pois bem, então abra os olhos! - E quando larguei a camisola e olhei para cima, o meu coração bateu, e bateu, e continuou a bater cada vez mais forte. Sorri.
- Ah, um sorriso. Menos mal. Perdão, sou o Miguel.
- Marília.
- Porque sorri Marília?
- Aprendi hoje que o amor faz sorrir.
foto:tumblr
